terça-feira, 31 de março de 2009

Serendipity!

Hoje fui na BPP dar uma fuçada, procurar algo novo pra ler, fingindo que eu já não tenho 30 mil coisas separadas na minha lista obrigatória de leitura. É.

Voltando um pouco. Há algumas semanas estava meio deprimida com o rumo das coisas e resolvi fazer uma arrumação nos livros do quarto. Encontrei um que me pareceu deveras interessante. "Um Defeito de Cor", de Ana Maria Gonçalves. Ao ler o prólogo, achei que aquilo tudo tinha um propósito, naquele momento. Olha só:

"Serendipidade então passou a ser usada para descrever aquela situação em que descobrimos ou encontramos alguma coisa enquanto estávamos procurando outra, mas para a qual já tínhamos que estar, digamos, preparados. Ou seja, precisamos ter pelo menos um pouco de conhecimento sobre o que 'descobrimos' para que o feliz momento de serendipidade não passe por nós sem que sequer o notemos."


Tá, corta e volta pra hoje. Tô eu olhando as estantes cheias de livros que a galera destrói (mimimi) quando, ao me virar pra ir embora, bato o olho em "Por Quem Os Sinos Dobram", do Hemingway. Eu tava na pira de ler esse livro há séculos e tudo bem, eu estava numa BIBLIOTECA, então não é surpresa alguma eu tê-lo achado lá, mas espera aí, olha só de novo; eu abro o livro e:

"Nenhum homem é uma ILHA isolada; cada homem é uma
partícula do CONTINENTE, uma parte da TERRA; se um
TORRÃO é arrastado para O MAR, a EUROPA fica
diminuída, como se fosse um PROMONTÓRIO,
como se fosse o SOLAR de teus AMIGOS ou
o TEU PRÓPRIO; a MORTE de qualquer
homem ME diminui, porque sou
parte do GÊNERO HUMANO.
E por isso não perguntes
por quem os SINOS dobram; eles
dobram por ti."

John Donne

Assim, deixo o 2+2 pra quem for ler esse post. Só posso dizer que saí de lá com os olhos marejados.

You don't reach Serendip by plotting a course for it.
You have to set out in good faith for elsewhere and lose
your bearings serendipitously.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Oi!

Vamos lá para a milésima tentativa de manter um blog! Não vejo razões para efetivamente fazê-lo, visto que sei que em pouco tempo hei de abandonar esta empreitada. De todo modo, cá estamos!

Lembro quando eu queria escrever e viver disso. Na verdade, há muito desejo ter uma sacada genial, ganhar uma puta grana e abandonar a vida na cidade. Viver no campo, plantar batatas, criar meu(s) filho(s) (?!?!), isso é o que quero. Soaria como uma grande piada, não fosse verdade. Mas enfim, quem se importa com isso, eu me pergunto.

Volto a postar um texto que escrevi há alguns meses. Não acho que consegui exprimir em palavras o que senti no momento. Foi uma coisa de louco, um momento bizarro. Eis o relato:

Gravity always wins

Esses dias eu estava conversando com um grupo de amigos sobre infância, etc e uma certa pessoa fez algo que acabou por me tirar o sono.

Fulano imitou um gesto que fazia quando criança. Eu estava segurando uma xícara de café e, por um segundo, quis morrer. Estava ali, bem ali, precisamente ali, o que viria a definir quem Fulano seria.
Explicar-me-ei. Aquele simples mexer dos braços dizia mais sobre aquela pessoa do que qualquer coisa que ela poderia eventualmente vir a falar. Aquele ato continha em si absolutamente tudo. Se eu estivesse presente no dia em que o tal fato aconteceu, provavelmente na cozinha da casa de Fulano, saberia o que viria a seguir. Saberia mesmo.

Pois bem. Essa noite meu pé estava coçando e eu chorei. Primeiro por causa da coceira, depois porque quis lembrar da minha infância e do que poderia ser essa coisa que viria a me definir. Raquel, você será assim, porque prende teu cabelo desse jeito, por exemplo.

Mamãe gostava do modo como eu prendia o cabelo. Achava adorável aquele mexer dos braços.
Esses dias ela me disse que viver é fácil, nós é que complicamos tudo. Ela gosta de viver.

Um dia, quando eu ainda nem existia, mamãe desejou ardentemente a morte. Hoje ela gosta de viver, acha bonito.